O otimismo das famílias brasileiras com a situação socioeconômica do país subiu em junho, após ter recuado nos dois meses anteriores, de acordo com levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). No mês passado, o indicador avançou para 64,1 pontos, ante 62,9 pontos registrados em maio e 63,8 registrados em abril. Pela metodologia do Índice de Expectativas das Famílias, pontuações acima de 60 indicam otimismo.Entre as regiões, a única a apontar alta no Índice de Expectativa das Famílias (IEF) na passagem de abril para maio foi a Norte, onde o indicador passou de 64,2 para 63,2.
O maior otimismo foi verificado no Centro-Oeste, onde o indicador passou de 73,3 para 75,5. O pior resultado foi auferido no Nordeste. Lá, entretanto, o índice avançou de 89,8 para 61,7 pontos. No Sudeste, o indicador subiu de 62,5 para 63,7; e no Sul, de 61,9 para 62,2.
“Os dados revelam que a situação continua sendo percebida como melhor na comparação com a do ano anterior”, afirma o Ipea no documento de divulgação. “Como nos meses anteriores, as informações coletadas reafirmam que não são as categorias de menor renda ou instrução as mais otimistas. Os números mais otimistas estão na faixa de renda entre 4 e 5 salários mínimos e instrução superior completa”, acrescenta.
O índice é resultante de uma pesquisa mensal do Ipea, aplicada em 3.810 domicílios de 214 municípios em todas as unidades da federação.
Situação econômica e financeira
A expectativa das famílias para o mês de junho, no que diz respeito à situação econômica do país no curto prazo, aponta que 56,8% delas acreditam que o Brasil passará por melhores momentos nos próximos 12 meses, um valor 0,6 ponto percentual maior que o registrado no mês anterior (56,2%).
Para os próximos cinco anos, o percentual de famílias brasileiras que acreditam que a situação econômica do Brasil estará pior caiu de 22,9%, em maio, para 22,4% em junho.
Em junho, 74% das famílias brasileiras pesquisadas afirmaram estar melhor financeiramente do que há um ano, percentual praticamente idêntico ao apresentado no mês anterior. Já o percentual de famílias que acreditam ter piorado financeiramente caiu de 23,1% para 22,8%.
Em relação às expectativas para o próximo ano, é o Norte a região mais otimista (92,7%).
Consumo e endividamento
Em relação ao consumo de bens duráveis, 51,5% das famílias brasileiras afirmaram que o momento é propício, contra 42,6% que não acham o momento ideal para tal.
Entre as regiões, apenas o Norte e o Sul apresentam otimismo expressivamente inferior ao do Brasil como um todo. No Sudeste, o percentual subiu de 53% em maior para 55,1% em junho.
Já a percepção das famílias sobre endividamento se manteve praticamente inalterada em relação ao mês anterior, com 9,2% que se consideram muito endividados, 21,9% que se consideram pouco endividados, 18,3% que avaliam estar mais ou menos endividados, e 50,5% que afirmam não possuir dívidas. Ou seja, 72% acreditam estar pouco endividadas ou não possuir dívidas.
Assim como em maio, a maior proporção de famílias sem dívidas se encontra no Centro-Oeste (82,1%), seguido pelo Sudeste (61,1%). Enquanto isso, a região Nordeste apresenta o maior percentual de famílias muito endividadas (12,2%), resultado igual ao do mês anterior.
Segundo o Ipea, a proporção dos endividados cuja dívida representa até a metade do rendimento domiciliar mensal caiu um pouco em junho para 16,2%. Também diminuiu a proporção daqueles cujas dívidas representam mais de 5 vezes o orçamento familiar, alcançando 17,2%.
De acordo com o levantamento, 17,8% das famílias afirmaram que, embora tenham dívidas, terão condições de quitá-las totalmente e 45,8% que poderão quitá-las parcialmente. Entre as famílias endividadas, 33,6% dizem não ter condições de pagar suas dívidas. Em maio, esse índice era de 41,3.
Ainda de acordo com o levantamento, 93% disseram não possuir a intenção de contrair financiamentos ou empréstimos nos próximos meses.
“Apesar das elevadas taxas de juros ao consumidor cobradas no Brasil há muitos anos, o risco de alta taxa de inadimplência permanece moderado”, afirma o Ipea.
Mercado de trabalho
Os dados do Ipea referentes ao comportamento do mercado de trabalho e às expectativas mostram que 79% dos responsáveis pelos domicílios se sentem seguros em sua ocupação atual, acima do índice de 76% do mês anterior.
Todas as regiões do país apresentaram valores ligeiramente superiores à média nacional, exceto o Nordeste que obteve o menor índice: 69,2%.
Entre os demais membros da famílias, o otimismo é menor: 72% responderam sentir segurança nas ocupações. No total, aproximadamente 6,2% dos entrevistados demonstram expectativa positiva quanto à segurança de algumas pessoas da família em suas ocupações e cerca de 21% disseram que os demais membros não se sentem seguros em relação às suas ocupações.
A expectativa de obter melhorias profissionais passou de 38% em maio para 36% em junho. Os resultados apontam ainda que cerca de 59% não esperam obter melhorias nos próximos seis meses.
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