A redução dos juros, anunciada desde abril por bancos públicos e privados, tem animado os consumidores que possuem algum tipo de financiamento ou que desejam solicitar crédito para diferentes fins. Mas é preciso ficar atento, pois, em alguns casos, os juros menores podem não significar economia, uma vez que o acesso às taxas mais baixas pode estar associado à contratação de pacotes de serviços mais caros. Além disso, os bancos elevaram consideravelmente suas tarifas de serviços. Um levantamento realizado com os dados do Banco Central, comparando as tarifas praticadas em 2 de abril e em 14 de maio, mostra que, somadas, as tarifas registraram um aumento médio de 1,56%.
Contudo, quando avaliadas individualmente, algumas tarifas mais que dobraram de valor. Os maiores aumentos registrados foram para as transações de compra e venda de moeda estrangeira em espécie, cheque de viagem e cartão pré-pago. O custo dessas operações passou de R$ 21,20 para R$ 42,67, um aumento de 101,27%.
Os serviços mais utilizados no dia a dia da maioria dos clientes bancários também tiveram aumentos expressivos. Os extratos mensais, por exemplo, ficaram 14,21% mais caros, após o mínimo oferecido gratuitamente. Já os saques de conta corrente e poupança, realizados no guichê além do mínimo permitido, tiveram alta de 11,88%. "Muitos bancos anunciaram redução de juros, mas nem todos os clientes serão beneficiados. O aumento das tarifas bancárias é uma forma grotesca dos bancos dizerem que estão baixando os juros, mas na verdade não estão. Os bancos fizeram o dever de casa bonzinho para o governo, baixando os juros, mas compensaram dessa forma desonesta, elevando as tarifas", diz o economista e professor da Universidade de Fortaleza (Unifor), Henrique Marinho.

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