sexta-feira, 1 de julho de 2011

População teme mais inflação que violência


As lembranças do período em que a inflação mais causava temor no País parecem não ter sido completamente superadas, principalmente, pelas gerações que sentiram os efeitos do "dragão". O retorno dos percentuais astronômicos de elevações dos preços causa mais preocupação ao brasileiro do que a violência, é o que aponta pesquisa realizada pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). 26% dos entrevistados em diversas capitais brasileiras afirmaram que "a volta da inflação" é o fato que mais lhes causa medo. Em segundo lugar, foi citada a violência urbana, com 23%. Até o desemprego, com 20%, ficou abaixo.

Os resultados da pesquisa mostraram que o medo da escalada de preços é maior entre os brasileiros acima dos 45 anos que entre os mais jovens. Na avaliação por faixa etária, a volta da inflação é o principal fator de temor para 39% dos entrevistados com mais de 60 anos. Na faixa entre 45 e 59 anos, 34% dos entrevistados deram a mesma resposta. Já entre 35 e 40 anos, 25% temem o desemprego em primeiro lugar, enquanto 23% assinalaram ´a volta da inflação´. Para se ter uma ideia da intensidade dos aumentos de preço na época que antecedeu o Plano Real, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em dezembro de 1993, a inflação dos alimentos medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), chegou ao patamar acumulado de 2.450% em Fortaleza.

Moeda consolidada

A nossa atual moeda se consolidou tanto que, para gerações atuais, esse tipo de fenômeno inflacionário parece algo absurdo e fantasioso. Mas, trazendo o cenário para a atualidade, seria como um pacote de biscoitos passar, em um ano, de R$ 1,50 para mais de R$ 3.600,00, o que ilustra a completa volatilidade das moedas nacionais anteriores ao Real.

Atualmente, o País convive com percentuais muito mais brandos. No entanto, qualquer pequeno repique já causa preocupação. O governo Dilma Rousseff tem se mostrado focado em retornar o índice para o centro da meta, de 4,5%, por meio de medidas de contensão de crédito e aumento dos juros. De 2006 até hoje, o IPCA nunca extrapolou a marca de 7% ao ano.

Neste ano, no acumulado dos últimos 12 meses, chegou a superar o teto da meta inflacionária, de 6,5%.

Fonte: Diário do Nordese

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